Os mísseis particulares vão à Estação Espacial Internacional

Nos EUA foi testado o motor de um foguete-portador construído por uma companhia particular. A mídia local qualifica este míssil como futuro meio de transporte de astronautas para a Estação Espacial Internacional. O teste de funcionamento no banco durou menos de quatro segundos. O vôo experimental foi planejado para abril.
A administração dos EUA deposita esperanças especiais em companhias particulares, que estão em condições de produzir aparelhos, capazes de levar pessoas humanas para órbita. As cosmonaves “shuttle” irão cessar os seus vôos no fim deste ano ou em princípios do próximo. É que este aparelhos já tem quase trinta anos. A cosmonave da nova geração “Orion”, projetada pela NASA, vai levantar vôo na melhor das hipóteses em 2017. Por outras palavras, o transporte de tripulações para a Estação Espacial Internacional estará a cargo somente das cosmonaves russas “Soiuz”.
Num plano puramente teórico, os mísseis comerciais americanos poderiam concorrer com as cosmonaves russas, pois o preço de transporte de cargas nestes veículos para a órbita pode ser mais baixo graças à introdução de tecnologias mais modernas. Mas quanto a cosmonaves, a situação é muito mais difícil, - disse à “Voz da Rússia” o perito em cosmonáutica Igor Afanassiev.
Em primeiro lugar, companhias particulares americanas, que se empenham agora na elaboração destes veículos, são pequenas e não têm experiência de criação de cosmonaves pilotadas, nem a terão num futuro próximo. É bem possível que não consigam resolver esta questão até o ano 2017.
Aliás, a situação na esfera de mísseis também não é tão simples assim. Por exemplo, a firma “Space Ix” deve ainda percorrer uma distancia demasiadamente grande desde o ensaio do motor no banco até a criação e remate final do míssil. Ela tem no momento apenas a experiência de lançamentos de um protótipo pequeno do foguete e três dos cinco destes lançamentos resultaram em fracasso. A NASA e o governo americano afirmam que depositam esperanças em companhias cósmicas particulares mas não podem deixar de entender que é impossível criar em breve um veículo, capaz de substituir o “shuttle”.
Estas declarações da NASA visam ainda um fim propagandístico, ou seja, proporcionar um estímulo à sua indústria, que é capaz de desanimar por causa da decisão do presidente Obama de renunciar ao programa de vôo para a Lua, e oferecer-lhe uma certa compensação. Portanto, a criação de meios comerciais de transporte de astronautas para a órbita pode servir precisamente na qualidade desta compensação.
Observadores americanos fazem lembrar mais um momento. A comissão encarregada de investigar as causas da catástrofe do “shuttle” “Colômbia” constata no seu informe que a principal causa da tragédia foi a perda da “cultura de segurança e de fiabilidade dos vôos” em NASA. Mas se esta cultura faltou à Agência Cósmica Nacional dos EUA, é pouco provável que firmas particulares sejam mais adiantadas neste plano. O máximo que as firmas particulares poderão fazer até 2017, quando deverá estar pronta a nova cosmonave da NASA, é organizar o transporte de cargas para a órbita e, na melhor das hipóteses, o retorno dos astronautas, - afirma o perito.

fonte: http://portuguese.ruvr.ru/2010/03/19/5469365.html